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Cinema na Educação

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Uma Mente Brilhante
A Matemática e a Esquizofrenia

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Entrar no mundo de uma pessoa que sofre qualquer tipo de desordem mental constitui um desafio inimaginável para todas as pessoas. Não conseguimos ter a mínima noção de como uma patologia do tipo de uma esquizofrenia pode afetar a vida cotidiana dessas pessoas. São verdadeiros heróis anônimos os parentes e amigos que se dedicam a dar-lhes toda a atenção que merecem, todo o carinho de que precisam, todos os cuidados de que necessitam.

O filme “Uma Mente Brilhante” nos apresenta a história de uma pessoa que, apesar de toda a sua inteligência, sofre as agruras de quem padece de um desses males. Seu caso, verídico, ganhou ainda maior notoriedade pelo fato do personagem central ser um dos grandes matemáticos do século XX. Professor de tradicional universidade norte-americana (Princeton), tendo participado de programas governamentais durante a época da Guerra Fria e, já com idade bastante avançada, tendo se tornado vencedor da maior das honrarias concedidas a pesquisadores de várias áreas, o prêmio Nobel.

John Nash (em atuação brilhante do ator Russell Crowe, indicado ao Oscar), se revela um grande matemático desde a sua chegada à universidade. Talento reconhecido pela instituição, pelos professores e, até mesmo, pelos seus colegas (apesar da competição e da inveja que reina entre alguns deles). Brilha com grande intensidade pela genialidade nos cálculos tanto quanto pelo estranho comportamento social. Mostra-se um verdadeiro desastre com as garotas e, um tanto quanto arrogante perante os colegas. Demora-se a se decidir quanto a que tese defender a fim de valorizar-se nacionalmente. Desdenha dos trabalhos de seus colegas por achar que não incorporavam novidades ao estudo da matemática, sendo apenas ensaios acerca de pontos já defendidos em obras anteriores. Não quer ser igual a eles, pretende atingir o ápice, criar algo original, próprio, que carregue sua assinatura pessoal.

Jovem-olhando-para-moca-sorrindo

Nesse momento podemos perceber, apesar de alguns indícios de anormalidade quanto aos relacionamentos, que Nash, como qualquer outro jovem intelectual (ou não intelectual) pretende firmar-se a partir de uma descoberta que possa eternizar seu nome. Vislumbramos nesse momento um pouco daquilo que existe dentro de cada um de nossos alunos, uma luz de grande intensidade, que quer se fazer notar, mas que não sabe exatamente como ultrapassar as barreiras das nuvens.
Diferentemente de nossos alunos (tenho sempre a esperança de que eles nos surpreendam e nos façam morder a língua), Nash continuou durante seus estudos, de forma obstinada, atrás da fórmula que o levaria a celebridade. Acabou criando-a ao opor-se ao conceito clássico de Adam Smith a respeito da competição (entendida como forma de estímulo para o avanço rumo a um objetivo, a uma lucratividade). Nash elaborou um conceito em que o essencial seria a colaboração do grupo para que todos conseguissem chegar a algum lugar, a um certo objetivo, a um lucro final.

Durante seus anos de estudo teve sempre por perto um colega espirituoso, muito diferente de si, de nome Charles (Paul Bettany), que o estimulava constantemente, durante suas crises mais pesadas, nas quais parecia querer se esconder de tudo e de todos. O único que o compreendia nesses momentos era o bom e prestimoso Charles.

Ao terminar seu curso de matemática, reconhecido por suas teorias e pelo brilhantismo na área, John Nash foi convidado a trabalhar no MIT (Massachussets Institute of Technology), o mais conceituado de todos os centros de pesquisa na área de matemática e engenharia dos Estados Unidos, podendo levar com ele dois de seus colegas (poderíamos imaginar Charles como uma escolha óbvia, no entanto,...).

Além de suas pesquisas, Nash foi convidado a dar algumas aulas, o que, para ele, foi um verdadeiro martírio já que as considerava perda de seu tempo e dos alunos também. Outra atividade, dessa vez instigante e interessante, também surgiu nessa mesma época. Foi aliciado para decifrar códigos para o governo, evitando que importantes mensagens soviéticas pudessem ser passadas através de inocentes matérias publicadas em jornais e revistas americanos para agentes russos infiltrados na América do Norte. Em suas mãos estava o destino da nação, ele poderia evitar a explosão de bombas nucleares nos Estados Unidos.

Jovem-sentado-sozinho

Nesse mesmo período, conheceu sua esposa, Alicia (Jennifer Connely, numa bela atuação, premiada com o Oscar de melhor atriz), uma linda jovem que se sente seduzida pelo professor inteligente e bem sucedido. Marcante e decisiva em sua vida, Alicia será seu anjo da guarda a partir de então. A partir desse momento de suas vidas, revelam-se os grandes dramas da esquizofrenia de Nash. Boa parte do que imaginava estar fazendo e algumas das pessoas mais importantes que viviam ao seu redor nem ao menos existiam.

Somente sua própria força e inteligência, aliadas a dedicação de sua esposa poderiam permitir que ele superasse as adversidades e viesse a ter uma vida normal, outra vez.

Em um filme movimentado, que atravessa as décadas de 1950, 1960 e 1970, vemos um pouco do clima aterrorizante que tomou conta dos Estados Unidos e do mundo por conta da Guerra Fria; Sentimos a necessidade que temos de contar com o apoio das outras pessoas, de sua solidariedade, mesmo quando nos achamos altivos e auto-suficientes; passamos a entender um pouco melhor o que significa estar do lado de lá de um autêntico e intransponível “Muro de Berlim” que é a esquizofrenia; entramos em contato com a teoria de Nash, que de certa forma o auxiliou na superação de suas crises (esforço bem sucedido graças ao trabalho conjunto do próprio Nash, de sua esposa e de alguns amigos).

Atuações sensacionais de Crowe, Connely e Ed Harris (como Parcher, o contato de Nash com as autoridades americanas no trabalho de decodificar as mensagens russas) tornam o filme do diretor Ron Howard um filme digno de ser visto. Principalmente por nós, professores, que temos dificuldades com certos “Muros de Berlim” que nos levam a algumas “guerras frias” em salas de aula.

Ficha Técnica

Uma Mente Brilhante
(A Beautiful Mind)

País/Ano de produção:- EUA, 2001
Duração/Gênero:- 134 min., drama
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Ron Howard
Roteiro de Akiva Goldsman
Elenco:- Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly, Paul Bettany,…

Links

-http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=3691

- http://www.adorocinema.com.br/filmes/mente-brilhante/mente-brilhante.asp

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