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Diário de Classe
João Luís de Almeida Machado é consultor em Educação e Inovação, Doutor e Mestre em Educação, historiador, pesquisador e escritor.

Uma câmera na mão e várias idéias na cabeça... - 21/09/2007
Projeto de Produção de Vídeos de 5 minutos

Foto de uma menina com uma câmera na mão filmando outra menina andando num trilho de trem

Nossos alunos mudaram. O mundo ao nosso redor modificou-se. Isso nos leva a crer que as transformações também devem ocorrer no universo escolar. Não há outra alternativa, a não ser modificar a forma como a escola trabalha e estabelece seus vínculos e relações com os seus clientes diretos e indiretos para que a instituição não apenas sobreviva, mas também para que ela se revigore e demonstre estar preparada para os desafios do novo milênio que começou há pouco.

A reformulação/reestruturação das escolas pede, portanto, a atualização de suas práticas, projetos pedagógicos, estruturas de funcionamento, materiais e equipamentos, planejamentos, currículos e, diga-se de passagem, até mesmo da postura assumida pelos profissionais que atuam nas escolas.

Num primeiro momento, por exemplo, é de essencial importância compreender os novos tempos e como as pessoas com as quais lidamos se modificaram em função do contexto atual. Globalização, novas tecnologias, integração de mercados, políticas públicas, questão ambiental, regionalismos, educação permanente, acirrada competição nos mercados internacionais e outras temáticas não podem passar despercebidas pela escola.

E nem, tampouco, a certeza de que as novas gerações, que já nasceram num contexto marcado pela presença maciça dos computadores, da internet, das transmissões em tempo real, da televisão via satélite ou cabo e de tantas outras tecnologias que unem diferentes mídias e alternativas de apresentação de idéias, precisam ser compreendidas para que sejam devidamente incorporadas ao trabalho nas escolas.

Não estamos fazendo corretamente a lição de casa. Sabemos da intensa, acelerada, vívida e, por vezes, dolorosa metamorfose pela qual passa o mundo. Assistimos televisão, nos plugamos na rede mundial de computadores, lemos jornais e revistas... Estamos atualizados quanto à informação, mas que uso fazemos de tudo aquilo que ficamos sabendo?

Foto de uma mão escrevendo numa agenda
Discutir as idéias e produzir um roteiro são etapas importantes do processo de criação.

Por exemplo, uma das constatações de pesquisadores dos mais diversos países, inclusive do Brasil, refere-se ao fato de que as novas gerações de habitantes do planeta são eminentemente visuais. E o que isso significa? Que devemos trabalhar leitura, produção de textos, interpretação de literaturas específicas de cada disciplina e, ainda, de preferência, que os ensinemos a realizar com constância o pensamento interdisciplinar, já que falta aos nossos alunos do presente momento que vivemos o interesse e o preparo para lidar com esses materiais.

No entanto, significa também que devemos e podemos aproveitar o interesse e a riqueza dos aspectos visuais para tornar nossas aulas mais interessantes, estimulantes e provocativas aos olhos dessas novas gerações com as quais trabalhamos. Incorporar filmes, propagandas, videoclips, apresentações em powerpoint, produções em softwares como o Movie Maker ou estimular o trabalho com fotografias passa a ser mais do que uma sugestão... Tornou-se uma necessidade.

Isso me faz recordar a célebre frase de um de nossos mais famosos e festejados cineastas, o baiano Glauber Rocha (diretor de filmes que marcaram época como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” ou “Terra em Transe”). Quase como predizendo o surgimento dessas gerações tão ligadas ao poder da imagem, Glauber vaticinou que para criarmos precisaríamos apenas de “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, ainda no início da década de 1970. Hoje, com a popularização dos equipamentos digitais, cujos preços tornaram-se acessíveis a uma boa parcela da população, a frase passou a ter mais sentido e pode, inclusive pautar projetos a serem desenvolvidos nas escolas.

Pensando nessa possibilidade, que penso ser aplicável a qualquer nível de ensino, inclusive a educação infantil e ensino fundamental do primeiro ao quinto ano (com as devidas adequações e orientações por parte dos professores que trabalharem com esses níveis), criei e desenvolvi um projeto de produção de vídeos de 5 minutos a serem produzidos por duas turmas de estudantes com as quais trabalhei.

Foto de um homem com o rosto de lado e as mãos ao redor do ouvido
“Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça.” Glauber Rocha parecia estar prevendo o que estamos vivendo hoje, com o surgimento de gerações tão ligadas ao visual.

Nesse artigo da coluna “Diário de Classe” trago as orientações que dei aos estudantes e alguns comentários sobre os resultados obtidos e convido outros professores a elaborar, recriar e repensar para seus contextos e clientelas essa eficiente e produtiva estratégia de trabalho. Confiram a seguir:

Projeto de Produção de Vídeos de 5 minutos

  • Foi requisitada a produção de um vídeo de 5 minutos com câmera de celular, câmera de vídeo, câmera fotográfica (com recursos de filmagem) ou Windows Movie Maker (para tanto sugerimos que os grupos formados buscassem informações sobre o uso e os procedimentos equivalentes a esses equipamentos e ferramentas na Web e, ao final dessas orientações do projeto, apresentamos alguns links sobre esses recursos).
  • A base para a produção de cada grupo seriam os capítulos de uma obra utilizada em sala de aula cuja leitura havia sido pedida a todos os estudantes.
  • Os estudantes foram divididos em grupos de acordo com a quantidade de tópicos ou capítulos dos livros referenciados no projeto, ou seja, como nesse caso tínhamos oito capítulos, o trabalho foi dividido entre quatro grupos de cinco alunos que ficaram responsáveis por dois capítulos diferentes cada.
  • Definimos prazos para a entrega da produção e tempo previsto de utilização das horas-aula da disciplina para que os alunos pudessem organizar o projeto.
  • Esclarecemos como o trabalho deveria encaminhar-se com as seguintes orientações:
  • Foi pedida a revisão dos dois capítulos em questão (cada aluno integrante do grupo deveria fazer isso individualmente para que as respostas depois pudessem ser discutidas coletivamente e gerassem a produção de uma lista de consenso sobre quais seriam as principais idéias apresentadas nos capítulos analisados pelo grupo).
  • Com as principais idéias escolhidas através de leitura e consenso pelo grupo a próxima etapa seria a criação do roteiro. Prevaleceria à idéia de liberdade de criação para motivar a criatividade do grupo. O foco deveria ser tanto o que filmar quanto o como filmar.
  • A filmagem poderia ser feita em blocos, ou seja, com cada idéia tendo 30 segundos ou 1 minuto destinados a ela ou ainda a produção poderia ser feita em um único bloco de 5 minutos corridos.
  • Os grupos iriam depois apresentar suas produções em data pré-estabelecida e falariam sobre o trabalho, a produção e as idéias importantes destacadas na filmagem.
  • Ao final tínhamos a intenção de lançar os vídeos em questão na internet, mais exatamente na base do YouTube.
  • Links com referências:
  • http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=6716
  • http://pcworld.uol.com.br/dicas/2007/06/04/idgnoticia.2007-06-04.7074236528/
  • http://info.abril.com.br/dicas/arquivos/dica_1034.shl
  • http://wnews.uol.com.br/site/colunas/materia.php?id_secao=1&id_conteudo=149
  • http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=11830
  • http://www.sony.pt/view/ShowArticle.action?article=1167924786593&site=odw_pt_PT

Foto de três jovens lendo
Há toda uma necessidade prévia de planejar, estruturar o trabalho, verificar locais onde a filmagem possa acontecer, dividir responsabilidades, atribuir funções e, principalmente, de entrosar o grupo, para que a produção aconteça.

Resultados: Tivemos as produções entregues no prazo previsto, com a utilização dos recursos pedidos (3 grupos optaram pelo uso do Movie Maker e apenas um concentrou-se na utilização de recursos de uma câmera de celular para realizar a gravação). As etapas preconizadas para o desenvolvimento do projeto foram seguidas, ou seja, num primeiro momento os grupos reuniram-se para discutir a leitura dos capítulos e as idéias principais destacadas por cada um; posteriormente tiveram a preocupação de pensar como poderiam trabalhar esses princípios numa produção filmada; escolheram as ferramentas assim que o roteiro já estava criado; sentiram dificuldades com a nova linguagem, mas se divertiram bastante (conforme me disseram) com o desafio; perceberam o quanto é difícil sintetizar e colocar em 5 minutos de vídeo, de forma a tornar atraente a produção, idéias de um livro ou texto; apresentaram as produções cientes de que, com mais tempo poderiam ter feito um trabalho melhor e que, certamente, esse novo aprendizado poderá ser muito útil para eles em outros momentos de suas histórias de vida pessoal e profissional.

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4 COMENTÁRIOS

1 Juvencio Junior - ANORI Amazonas
Bom dia, estou com uma ideia parecida, mas nunca fiz um projeto, trabalho numa escola de 6º ao 9º e ensino médio, a pouco comecei a pesquisar projetos semelhantes, preciso de ajuda, acho uma ótima ideia, porém não sei como organizar.
03/12/2012 12:15:57


2 Doralice S. Scafi - Mogi Mirim _ SP
Prof. João Luís, sou diretora de escola pública, gostei muito do seu projeto, e vc o descreveu de forma bem detalhada, tinhamos está intenção de um trabalho parecido com nossos alunos, ao ler seu projeto, multipliquei com meus professores e sem dúvida está sendo um norte para o que pretendíamos realizar com nossos alunos, a filmagem será com foco com o tema água. Um forte abraço Doralice Scafi Diretora da EMEB Prof. Jorge Bertolaso Stella
01/03/2011 23:18:34


3 Sandra Regina Alves - Cubatão- SP
Interessante! Onde podemos assistir aos vídeos produzidos pelos seus alunos?
24/12/2007 14:09:55


4 Telma Cassillo - São Paulo
Muito pertinente a idéia, relevante no contexto atual de "deseducação social", "desconscientização" entre outros....Realizamos aqui na EMEF Dom Paulo Rolim Loureiro, em São Miguel Paulista, São Paulo-SP um projeto com objetivos similares, só que através da fotografia,cujo nome é "CLIC CIDADANIA". Os objetivos durante o processo foi o de levantar as questões de garantias e não- garantias de direitos no entorno da escola. Abordamos temas de ética e cidadania, e o produto final foi a produção e exposição das fotos e o "movie maker". Gostaríamos de saber sobre a possibilidade de divulgar a idéia e o projeto. Gratas, Professoras: Isaura Carmem Ferreira Rosângela Augusta Alessandra Cardoso
10/10/2007 11:20:05


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