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Aprender com as Diferenças
Rosangela Gera Médica e mãe de uma garotinha cega de 4 anos que cursa a Educação Infantil, em uma escola regular na rede privada de ensino, Colatina-ES

Um Relato Emocionante! - 03/07/2007
O Casamento da Tia Carol

Oi pessoal, este relato é um pouco fora das nossas discussões, mas é de mãe para mãe , um desejo de compartilhá-lo com vocês.

PS: Tia Carol é a professora da Laura.

O Casamento da Tia Carol

A Tia Carol casou-se no dia 08 de junho de 2007.

Desde que a Laura foi convidada por ela para ser uma de suas daminhas de honra, eu fiquei muito feliz. Toda mãe adora ver sua filha linda, com aquele vestido de noivinha e brilhando a caminho do altar, sendo apreciada por todos. Toda mãe também fica apreensiva.

E se minha filha desistir? Se ficar com medo ou vergonha e não quiser entrar de última hora? E se entrar marchando? (em relação à Laura, era esta a minha preocupação).

Bom, se tudo isso acontecer, como mãe que somos, saberemos entender e dar aquele apoio lá mesmo na porta da igreja, mesmo que sintamos por dentro aquela pontinha de frustração pelas fotos que não forem tiradas, pelo esforço dos ensaios, e de toda aquela arrumação não poder ser admirada. 

Bom, mas sempre estamos preparadas. E foi em meio a todas essas conjecturas que chegou o dia do casamento.

Às 9 horas da manhã, salão para colocar os grampinhos, fazer os cachinhos no cabelo e voltar para casa com uma redinha na cabeça e a Laura já começar a tirar suas conclusões : “o meu cabelo está cheio de peixes, tem uma rede na minha cabeça, veja mamãe ."

Bom, mais tarde às 16 horas, de novo salão para fazer penteado, maquiagem, vestir a roupa. E tudo isso a base de um todinho. 

A Laura como é sempre cheia das idéias começa a latir no salão, rosnar e dizer que estava num "pet shop", nem falava com as pessoas porque cachorro não fala.

Chega à noite e a hora de ir para igreja. A Laura está linda e radiante, curtindo seu vestido e seu papel de daminha. Não demonstra cansaço.

Na porta da igreja diz que não quer mais entrar com o garoto, o Luis Felipe, e sim com a Ana Lara. 

Tento argumentar e ela responde: "então se eu entrar com o Luis Felipe, eu tenho que beijar na boca dele, porque ele vai ser meu marido, ué ."

Continuo conversando, argumentando, e esperando a Tia Carol chegar. Ela não demora e logo os padrinhos começam a entrar. 

Ajeitamos a Laura de mãos dadas com o Luiz Felipe e falo pra ela: "filha , agora é de verdade, não é ensaio, escuta a música e entra linda, lembra de tudo que a gente combinou, o mais importante de tudo é a cabeça levantada."

E ela entrou como a gente combinou. Não pude ver de frente, não deu tempo correr, fiquei vendo detrás que estava tudo certo. A Laura nos emocionou e nos alegrou. Foi um momento feliz.

Chegou lá na frente , sentou, levantou, falou alto, perguntou: "quem é filha única aí ?" 

As meninas que estavam perto responderam que não eram e ela falou: " eu sou". Começou a querer sair do lugar e ir andando por onde achava que devia. Tomou um escorregão no degrau e eu fui lá trazê-la para o banco. 

Ficou de papo com a convidada sentada ao nosso lado, que nem sei o nome. Depois a Tia Carol me fez sinal pra levar a Laura de volta lá para frente. Obedeci. 

A Laura continuou conversando, mas mais baixo, de vez em quando alguém escutava ela dizer que queria casar com o Tio Quico e que a noiva era ela. Até que no final depois que lhe explicamos que o Tio Quico agora já estava casado, ela respondeu que então se casaria com o Padre mesmo!

Chegamos na festa, demos carona para Roberta Tardin que a Laura adora. Na hora de tirar fotos com os noivos, a Laura fica muito nervosa e chorando avisa-me de que sua saia caiu. 

Não acredito e amarro seu laço, ela continua chorando e eu amarro mais forte, daí ela reclama que estou apertando ela, então todo mundo a nossa volta chega à conclusão de que a Laura está cansada, com fome, etc.

Deixamos as fotos pra depois, dou uma cadeira para a Laura se sentar e ela então se remexendo na cadeira, avisa-me de novo: "está vendo, mamãe, a saia continua caída". 

E aí então é que resolvo finalmente levantar o seu vestido e vejo que a saia que ela fala é a anágua do vestido que está realmente "caída", quase no joelho. 

Que culpa senti. Como não a escutei, hein? Perdemos as fotos com os noivos.

Depois disso Laura, você comeu, conversou muito, foi bastante paparicada naquela festa repleta de professoras, todas de quem sentiremos muitas saudades, eu e você com certeza.

Aí eu vi a Dona Carolina e lembrei-me de que você há pouco tempo falou-me que gostaria de conhecer alguém de 90 anos. 

Cheguei perto da Dona Carolina e falei que a Laura queria conversar com ela, ela então a colocou no colo. 

A Laura passou a mão em seu rosto, incrivelmente não passou a mão em sua mama, e em seguida falou: "você tem a voz bem rouquinha ."

E ainda você dançou muito com a Ana Lara, rodavam tão forte que só de ver eu ficava tonta. 

No final, quando fomos embora, nos despedimos da Tia Carol, que estava muito linda, muito feliz e emocionada. 

Ela me disse do quanto amava você, do quanto aprendia com você, do quanto estava feliz de você estar ali e de ter aparecido na vida dela.

Queria guardar isso aqui pra você ler no futuro. Quem sabe quando você tiver 30 anos e tiver se casando, a Tia Carol já vai ser uma "vovozinha", e lá no seu casamento a gente poderá se lembrar desse dia de hoje?

Ah! Não posso esquecer de lhe dizer que seu vestido era branco, a saia era bem rodada e de um tecido que parecia estar todo amassadinho. 

Entre os panos da saia, tinham várias fileiras de florzinhas coloridas, cada uma de uma cor. No cabelo essas florzinhas completavam o penteado, combinando com as do vestido. Você segurava um buquê de flor natural.

Saímos da festa meia-noite, e trouxemos cocadas, pamonha, docinhos e a vela de Santo Antônio que é o santo casamenteiro.

A festa estava linda, os convidados se divertiram e estava tudo muito agradável.

Querida Laura, neste relato estão fotos preciosas, são aquelas que só nossa emoção consegue revelar.

Certamente não estão nas máquinas de impressão, e nem nos flashes. E é por isso que cada vez mais acredito que o essencial vemos mesmo é com o coração .

Um grande beijo da sua mãe, Rosangela, em 11/06/07.

Avaliação deste Artigo: 5 estrelas
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2 COMENTÁRIOS

1 eliane lemos - belo horizonte
linda sua historia. e linda a professora que escolheu sua filha para compartilhar um momento tao feliz e marcante da vida. as vezes fico a me perguntar porque vivemos em um mundo tao preconceituoso, ninguem imagina o quanto poderia fazer feliz varias crianças portadoras de algum tipo de deficiencia, que nunca foram convidadas para um importante papel em um evento, nem mesmo pelos parentes mais proximos. preferem convidar criancas lindas, perfeitas, mesmo que nao tenham afinidades. sinceramente precisamos de maior numero de "tias carol" nesta vida.
06/06/2008 14:26:54


2 Luz Marina Barrios - Jardim-MS
Eu tambem sou mãe e amo meus filhos. sou professora no PETI e considero cada criança uma dádiva de Deus. E as crianças com deficiencias são dadivas duas vezes.
18/05/2008 16:57:46


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