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As inovações tecnológicas empregadas na produção de material Braille na Fundação Dorina Nowill para cegos - 25/10/2006
Roberto Sussumu Wataya

Em 1946, foi criada a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, hoje Fundação Dorina Nowill para Cegos com o objetivo de produzir, divulgar e distribuir livros em braille para escolas, bibliotecas e organizações que atendam deficientes da visão. A produção e o sistema de distribuição e suas condições específicas podem ser divididas em três áreas ou setores:

• Programação;
• Produção;
• Distribuição.

A área da programação transforma o pedido do leitor ou a demanda do mercado apta para a inclusão da obra no programa de transcrição em braille. A Divisão do Planejamento da Fundação convoca, anualmente, por volta de Agosto/Setembro representantes de escolas e serviços governamentais de educação de cegos em todo o país para uma reunião onde são apresentados os títulos dos livros que serão usados no próximo ano letivo. O material é discutido, selecionado e analisado, sempre de acordo com as possibilidades financeiras da Fundação fazendo-se a estimativa de preço das tiragens.

A área de produção transforma o material selecionado em tinta, preparo para digitação, impressão, revisão, correção, dobragem, paginação e encardenação. O setor de distribuição dissemina o material em braille, do produtor ao leitor, seguindo os dados obtidos na reunião de seleção de livros para programação. Todas essas áreas sofrem influências de fatores que atendem a problemas sociais, administrativos e econômicos. Para efeito de avaliação da produção e custo das obras, as mesmas foram enquadradas na seguinte classificação:

• Obras classe A (Matemática, Química, Física e Música);
• Obras classe B (Didáticas em geral);
• Obras classe C (Literatura).

O custo do livro em braille na Fundação foi avaliado em $ 0,06 cada página de obra classe A (Música e Matemática), $ 0,05 cada página de obras classe B (Livros didáticos); $ 0,04 cada página de obras classe C (Literatura), numa tiragem de 60 exemplares. (ROSSI, 1971: 2)

Sistema operacional na produção de material no sistema Braille

A transcrição do livro em tinta para o sistema braille segue um roteiro descrito em três etapas: Na primeira, faz-se um estudo pelos profissionais especializados, tendo como base sua utilidade educativa. Na fase de análise, realiza-se o planejamento, levando-se em conta se a obra contém só texto ou texto, desenhos e gráficos, porque serão necessárias adaptações dos mesmos, a fim de manter a originalidade dos conteúdos.

A segunda, é a da estereotipia, digitar o texto ou livro em questão no processador de texto (MS-WORD 5.0 da Microsoft), o qual possibilita a visualização e a impressão do formato do livro em Braille. A primeira impressão a ‘prova’ é feita na folha de formulário contínuo de 90g, a fim de ser revisada. A terceira é a revisão, geralmente, a leitura é processada por um revisor cego, acompanhado de uma pessoa vidente que lê o original à tinta.

Caso seja detectado erro, imediatamente, este é marcado, sublinhando a palavra incorreta pelo revisor cego, e por sua vez, o vidente numa folha anexa marca o número da página e a palavra correta para futura correção pelo estereotipista. Com todos os erros detectados, agora corrigidos, faz-se nova impressão e novamente é submetida ao crivo do revisor; não havendo mais erros, é processada a nova impressão agora em caráter definitivo, em matriz de alumínio, nas seguintes dimensões: 285 x 340 mm e espessura de 0,3mm.

As matrizes serão empregadas para produção dos referidos textos ou livros no sistema Braille. Finalmente, ao término da produção do lote, essas matrizes serão separadas em grupos de 50 peças a fim de serem guardadas para posterior uso.

A impressão é considerada de grande tiragem, quando o número de exemplares é acima de 50; nesse caso, são usadas as máquinas tipográficas adaptadas1 para uso da matriz de alumínio para produção do lote acima. A impressão é classificada de pequena tiragem, quando o número de exemplares é inferior a 50; usa-se também o formulário contínuo cujo papel tem a gramatura de 120g. A encadernação é tipo brochura, o papel da capa é 180g, e o título é escrito em tinta, contendo os seguintes dados: o autor, título da obra, edição e autorização do autor, o formato dos livros em Braille apresenta as seguintes dimensões: 22 x 28 cm. Na descrição acima, percebemos como se processa a transcrição de um livro em tinta para o sistema Braille.


Bibliografia

ROSSI, T. F. de O. A produção do livro em caracteres Braille pela imprensa Braille da
FDNC. Trabalho apresentado na Assembléia da Associação de Editores para Deficientes
Visuais de Ibero-Americana, Bogotá, Colômbia.

Roberto Sussumu Wataya: Doutorando em Educação:Currículo na PUC-SP,  Professor e Pesquisador do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), e-mail: rsussumu@uol.com.br .

Avaliação deste Artigo: 4 estrelas
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3 COMENTÁRIOS

1 neuza - cornélio procópio
Boa tarde, estou muito interessada em realizar curso braille online, sou professora na modalidade educação especial.
21/01/2013 16:08:09


2 Antônia de Nazaré Silva dos Reis - Capanema Pará.
Estou procurando informações a respeito de Curso de Especialização em Braille . Vocês poderiam me ajudar .Aguardo resposta.
01/04/2011 20:48:55


3 Rosinete Rodrigues - Macapá
Estou procurando informação a respeito do valor a ser cobrado pela adaptação e transcrição de provas de vestibular para o sistema braille. Sou especialista, adaptadora e transcritora braille, mas nunca cobrei por esse serviço. Voces poderiam me ajudar. Aguardo resposta
08/02/2010 12:06:04


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