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Carpe Diem
João Luís de Almeida Machado é consultor em Educação e Inovação, Doutor e Mestre em Educação, historiador, pesquisador e escritor.

Morre lentamente - 12/09/2006
Carpe Diem

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar, morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante... Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.

Martha Medeiros
Escritora Brasileira

Conheço inúmeras pessoas que morrem lentamente. Penso até que para a morte não lhes falta nada, somente o velório e o enterro. São pessoas que reclamam constantemente de tudo que lhes acontece durante a vida. Diga-se de passagem, que a vida, para essas pessoas, é um pesado fardo que lhes foi concedido sem que se pudesse perguntar a elas se realmente desejavam isso...

São pessoas que não se arriscam a tomar um banho de chuva de vez em quando. Que não ousam sair de casa sem um guarda-chuva ou uma capa a protegê-los. Não querem se arriscar e perceber que aqueles pingos gelados, caindo aos milhares dos céus, também são uma grande dádiva que nos é dada por Deus.

Mudanças lhes causam arrepios. Não acreditam que irão se arrepender de não ter tentado mudar, mesmo as pequenas coisas de suas vidas. Envelheceram muito rapidamente e não ousam colocar o nariz para fora da porta de suas casas. Escondem-se em suas modernas cavernas imaginando-se protegidos do mundo. Esquecem-se que é no contato com o mundo que realmente crescemos, aprendemos, nos machucamos, nos maravilhamos, choramos ou damos risadas sonoras e gostosas...

Falta-lhes, como nos diz o sábio Neruda, a paixão. O fogo não lhes arde no coração e não os impulsiona a fazer as loucuras que todos temos que fazer algum dia em nossas vidas. São pessoas que nunca deixarão para trás seus cotidianos para andar na praia, sentir a brisa marinha, deliciar-se com a água a lhes molhar os pés...

O mar, para pessoas assim, é uma beleza somente a partir da tela da TV. A mesma televisão que os escraviza e que muitos pensam lhes fazer livres. Não viajam para conhecer novos lugares e pessoas, sentir sabores e odores diferenciados, entregar-se a realidades e contextos completamente diversos daquilo que possuem.

Não viajam nem mesmo através das letras e da imaginação de fantásticos escritores, cronistas e poetas, como o próprio Pablo Neruda...

Morrem lentamente (ou já estão literalmente mortos) porque nem ao menos parecem se amar. Quem se ama se entrega para a vida e para o mundo de braços abertos. Quer conhecer, conquistar, bradar alto dos mais altos picos de montanhas, nadar entre os peixes, brincar sempre como criança, beijar com paixão o amor de sua vida como se fosse a primeira vez em cada nova oportunidade,...

Não se restrinja a somente respirar. Abra os olhos. Encha os pulmões. Sinta o calor emitido pelo sol. Explore o mundo e deixe que o mesmo o seduza e o conquiste. Viva cada minuto como se realmente fosse único...

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5 COMENTÁRIOS

1 Tereza Fugueiredo - Recife/Pe.
Tudo que se falou aí é pura poesia e utopia diante da dor do desengano que a vida nos tras. Tenho 71 anos de idade e vivo pedindo a Deus que me leve. Porque? Simples: tristeza por ter imaginado uma velhice tranquila, em paz com a família, com os filhos, Mas não. Somos desrespeitados nos nossos pontos de vista, arcaicos, superados, demondé. Quando procurei como morrer mais rápido, esperei uma receitinha mágica que nos levasse ao extâse da morte espiritual. Não tenho coragem de detonar um tiro na cabeça porque apesar de todo sofrimento não quero deixar mácula social na vida de meus filhos. Imaginem que até nesse ponto eu os amo e me sacrifico. Para mim a morte nessa idade é uma dádiva dos céus. A vida deveria se limitar aos setenta anos. É um ideal. Daí passamos a ser mandados e não respeitados. Tenho excelente casa, boas amizades, faço parte de um Forum Sócioambiental, leio bastante, porém nad disso me acrescenta mais nada. O que mais desejaria era o respeito familiar até nas discordãncia. Mão quero mais viver. É simples.
04/06/2011 20:53:05


2 Sérgio Estrella - Porto Alegre
Apenas a título informativo: este poema não é do Neruda. Autora é Martha Medeiros, uma escritora gaúcha e colunista do Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, no qual publicou este poema em 2000. Podem pesquisar no Google e verificar. Abraços
13/01/2009 17:31:29


3 Maidi Migliorança - Nova Santa Rosa
Segundo a Fundação PabloNeruda. http://www.fundacionneruda.org/, o poema "Morre lentamente" não é de Pablo Neruda.
28/08/2007 12:17:39


4 Elian Maria Bantim Sousa - Coelho Neto-MA
Boa Tarde, Professor João Luís...Existe um ditado que diz: O bom filho a casa torna. Realmente retornei. Por motivo de força maior não pude estar sintonizada no site Planeta Educacão, mas cria que ele estava a cada dia com novo vigor, alçando vôo, erguendo muitos daqueles que já morreram e esqueceram de deitar. Digo isso, professor, porque suas palavras são verdadeiras lições de vida e nos eleva ao mais alto degrau da vida. Obrigada. Esse artigo é muito atual, quantas pessoas estão praticamente mortas para a vida, diga-se de passagem, mais mortas do que aqueles que passaram desta vida para outra. Não se dão conta de quão grande é o universo que nos cerca, a nossa casa é um desse universo e muitas vezes nem ao menos cumprimentamos aqueles que compartilham a vida conosco, quiçá o nosso vizinho. Isso é morrer lentamente. Conheço um trecho de uma música que reflete muito bem esse comentário: "Só quem não amou, quem não chorou, quem se esqueceu que é um ser humano, quem não viveu, quem já morreu e se esqueceu de deitar..." (Nelsinho Correia). Queridos leitores do Planeta Educação, não nos deixemos morrer lentamente, depende de nós mesmos viver, "viver e não ter a vergonha de ser feliz". Abraços Profa. Elian Bantim
01/07/2007 13:00:34


5 Josileide Medeiros - Primavera do Leste/MT
Gostaria de dedicar esse comentário a minha amiga, irmã, Gracilene.. Morre lentamente! GRA, morre lentamente quem deixa de sonhar, viajar,arriscar, chorar, ler...Quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar, morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Amiga, sonhe, procure respostas para suas perguntas...Procure ir onde poucos tiveram a coragem de ousar, somente assim, conseguirar conquistar seus sonhos.."Uma consciência livre sabe dos rumos não pelo fato de outros falarem alguma coisa , mas porque acredita nos seu ato consciente de pensar (H.Werneck). Obrigada!! Beijos.
07/06/2007 13:37:10


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