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A Semana - Editorial
Erika de Souza Bueno Coordenadora Educacional da empresa Planeta Educação; Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo; Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família; Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). E-mail: erika.bueno@fk1.com.br

Desejo de Vingança - 25/06/2012
Seriados, novelas e filmes como tentativa de reproduzir a vida humana

Mergulhados no irreal e na fantasia da cabeça de algum autor, vibramos a cada chance de vingança apresentada por alguma trama muito bem-articulada.

Aplaudimos a queda do malfeitor de uma novela, por exemplo, tal como se fosse um grande espetáculo.

Não nos damos conta, mas a dor e o sofrimento constituem-se parte significativa de nossos pensamentos, influenciando os nossos mais remotos e presentes desejos.

Ainda que na ficção, ansiamos, na verdade, por sangue e violência para satisfazer o ódio que nos permitimos sentir durante um tempo em que estivemos expostos aos ardis do personagem mau de um seriado, novela, filme ou qualquer conteúdo semelhante.

Tentativas de humanizar o vilão frustram-se em número recorde, pois rejeitamos qualquer ato de amenizar o lado mau daquele personagem que geramos antipatia. Inclusive, parece que é uma necessidade termos pessoas com características negativas em nosso meio.

O “chove não molha” dos personagens do bem não impacta tanto a vida das pessoas. Isso ocorre talvez pelo fato de que precisamos de um antagonista para, então, conseguirmos ganhar a atenção e a admiração das pessoas que estão à nossa volta.

Tanto é assim que vemos inúmeras pessoas tentando provar que estão corretas a qualquer custo mesmo em situações simples, ínfimas e sem grandes prejuízos para qualquer que seja.

Para alimentar nosso ego e nossos desejos de super-heróis sem, é claro, termos que pagar o preço que heróis pagam, esforçamo-nos para “derrotar” alguém que escorrega e, sem dó e piedade, o empurramos à queda e ao mais profundo abismo da solidão e descrédito.

Tudo isso vai gerando sentimentos muito cruéis dentro de cada um. As pessoas sabem que, se errarem, serão tratadas sem piedade, sem direito de terem nova chance.

Sabem, por exemplo, que as únicas mãos que irão ao encontro delas serão para as empurrarem à queda, pois, afinal de conta, elas erraram, tiveram um tropeço e não são dignas de ajuda.

Ainda não se sabe se é a arte que copia a vida ou se é a vida que copia a arte, ou seja, não se sabe se os seriados, as novelas e os filmes copiam o modo de viver das pessoas ou se são elas que copiam essa forma de fazer arte...

Contudo, se tudo isso não tiver fim, certamente precisaremos de mais recursos punitivos para aplicar em que erra, pois qualquer que tropeçar estará fadado à queda e, consequentemente, à frieza do isolamento.

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