Pessoas sem nome
Crise de identidade

É comum, nos contos de fadas, as personagens serem conhecidas pelo apelido e não por nomes próprios. Isto ocorre porque não tendo nomes, qualquer pessoa pode assumir o lugar e a história destas personagens.
A questão se dá porque não é apenas nos contos de fadas que esta troca ocorre, e há maior complexidade porque nos contos esta troca é benévola, pois sempre têm moral da história, que se encaixa perfeitamente com muitos temas da vida de crianças e jovens.
Já na vida real, vamos assim dizer, quando uma pessoa deixa de ter nome e passa a ser conhecida por alguma outra citação, ela pode estar em meio a uma crise de identidade.
Crise de identidade é comum em jovens, pois eles ainda estão em processo de desenvolvimento. As transformações ocorridas no período da adolescência são, muitas vezes, responsáveis por um verdadeiro caos na vida do jovem e, também, na vida da família e dos envolvidos com ele.
Nós, professores, podemos traçar metodologias para diminuir os impactos ruins sofridos pelo jovem e pela sociedade em geral durante o período destas transformações.
É conveniente esclarecer que o primeiro método de combate a qualquer inadequação de comportamento se dá com a identificação.
Uma das possibilidades de jovens ficarem sem nomes se dá, por exemplo, quando se caracterizam muito mais do que deveriam com personalidades das quais são fãs.
É como se eles deixassem de ser chamados pelos próprios nomes e passassem a ser chamados pelo nome do objeto idolatrado, muitas vezes isso acontece literalmente.
Em casos assim, com a perda do “nome” há, consequentemente, a perda da identidade.
Os problemas destas perdas se evidenciam quando o jovem começa a querer viver num mundo que não é dele e, como esta mudança de mundo nunca será possível, o jovem vive em constantes insatisfações e frustrações.
Neste ponto, o comportamento dele já é conhecido como o “jovem-problema”.
Contudo, nós, professores e pais, poderemos ajudá-lo a resolver boa parte destes problemas ocasionados, muitas vezes, por uma identidade não bem-definida.
Portanto, é hora de “colocarmos a mão na massa” e começarmos um trabalho baseado no diálogo e na troca de confidências, até porque nós também já vivemos fases assim e, certamente, temos muito a contribuir com nossos jovens alunos.
Vale dizer que nossa identidade é formada durante a vida inteira com situações que se nos apresentam, com os anos de vida que nos dão experiências em diversas áreas etc.
Lembre-se que um diálogo é a conversa entre, pelo menos, duas pessoas e, por isso, pense numa maneira de fazer com o jovem fale com você (ou os interessados no bem-estar dele) sobre as ansiedades que ele tem e, também, quais os objetivos de vidas ele pensa e deseja atingir.
Ao conseguirmos fazer com que o jovem fale conosco, diminuiremos os riscos de aumentarmos o filtro afetivo deles, pois se eles interpretarem nossas intervenções como invasão de privacidade, será muito mais difícil conseguirmos ajudá-los neste momento tão importante na vida deles e, por que não, nas nossas também.
1 Biosfera MS - Campo Grande
Interessante essa abordagem, vamos divulgar em nosso blog nos links da semana.
5/11/2009 09:30:43