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Diário de Classe
João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

No mundo de Bond, James Bond... - 16/09/2009
Aprendendo história e geografia com o agente 007

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A bela mulher surge do mar, como uma sereia com pernas, usando um biquíni branco, com algumas conchas na mão e uma faca na cintura, utilizada para sua coleta de moluscos. Ao fundo, James Bond, o agente britânico 007, a tudo observa, escondido pela vegetação da belíssima praia caribenha, parte do arquipélago que compõem a Jamaica, país de maioria negra localizado na América Central.

A atriz que encarna a mais famosa Bond Girl de todos os tempos é a belíssima Úrsula Andres. James Bond, neste filme, é personificado pelo seu mais celebrado intérprete, Sean Connery. A produção em questão é 007 contra o Satânico Doutor No (1962), o primeiro filme da série. E o contexto é o de um mundo em plena corrida espacial e armamentista, durante os anos 1960, alimentada pela divisão do planeta entre duas ideologias, o socialismo russo e o capitalismo norte-americano.

Somente com esta introdução já é possível perceber as possibilidades de aprendizagem contidas nos filmes da série do mais famoso agente secreto da história da Sétima Arte. Há sempre localidades diferentes servindo como pano de fundo e, além desta contextualização geográfica, os filmes trazem como elemento primordial a história da humanidade no período em que foram realizados, retratando diferenças políticas, culturais, econômicas e sociais.

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O mais recente filme da série, 007 – Quantum of Solace (2008), por exemplo, já tendo à frente, como novo Bond, o ator Daniel Craig, explora questões relativas ao meio ambiente e à luta entre governos pela posse de um recurso de inestimável valor para a sobrevivência da vida na Terra, a água.

O cenário desta batalha é, também, a América Latina, mas desta vez, o país escolhido foi a Bolívia (na ficção), e a região desértica onde se passa a trama é Antofagasta, na divisa com o Chile. Esta localidade foi disputada entre os dois países em um conflito ocorrido ainda no século XIX (em 1883) e desde então faz parte do território chileno. O fato de o filme retratar o cenário das ações como área boliviana levou os chilenos a realizar protestos.

Até mesmo o Brasil já foi utilizado como referência geográfica nos filmes do célebre agente britânico. O personagem Bond foi vivido por Roger Moore e o título em questão é 007 Contra o Foguete da Morte, lançado em 1979. E, neste caso, torna-se bastante interessante utilizar o filme para referenciar a visão que os produtores e os estrangeiros, em geral, têm do país, considerado e percebido ainda neste momento de nossa história como um local bastante exótico, assim como toda a América Latina.

Outro aspecto promissor a ser ressaltado, além, é claro, daquilo que é destacado no filme quanto à riqueza natural brasileira no que tange a paisagens (especialmente quanto ao Rio de Janeiro), é a visão trabalhada no filme de que há novos “vilões” no horizonte, a saber, os empresários muito sedentos de lucro. Isto representa considerável mudança na linha dos filmes por deslocar a compreensão dos problemas internacionais da disputa entre EUA e URSS (União Soviética).

Os filmes de Bond também são interessantes e enriquecedores para trabalhos em sala de aula se pensarmos nos quesitos tecnológicos que introduz. Há vários artifícios usados por 007 que, passados alguns anos, acabaram se tornando produtos comercializados mundialmente.

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Um exemplo disto são os radares e mapas que orientam as viagens do agente secreto em seus belos veículos, com especial destaque para os veículos da marca Aston Martin, celebrados ao longo de praticamente toda a série. De certo modo, tais recursos, ainda que rudimentares nos filmes dos anos 1960 a 1980, nos antecipam o que hoje tantos motoristas utilizam para se guiar nas selvas de pedras e estradas de todo o mundo, os sistemas GPS.

Não apenas a América Latina e suas particularidades geográficas e políticas – como seus militares golpistas e governos corruptos - foi retratada na série de filmes de James Bond. O espião, criado pelo escritor e agente secreto inglês Ian Fleming e, portanto, disponível também em livros para trabalhos paralelos em outras disciplinas, como literatura, inglês ou português, também trafegou pelo Oriente Médio, Tigres Asiáticos, América do Norte, África, Oceania, vários países europeus e, até mesmo, pelos extremos gelados da Terra.

Pierce Brosnan, ator que antecedeu o atual Bond (Daniel Craig), por exemplo, vivencia parte da trama do filme 007 – Um Novo Dia Para Morrer (2002), na Islândia, em partes congeladas de seu território. E a possibilidade de utilização de recursos tecnológicos como as armas da chamada “Guerra nas Estrelas” é o que torna o mundo de então deveras perigoso. É preciso lembrar que estávamos vivendo a Era Bush (armamentista) e que, o lançamento do filme, apesar de posterior ao atentado as Torres Gêmeas, não trabalha tal temática em sua trama.

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Nesta produção o inimigo a ser detido é a Coreia do Norte, o que evidencia, inclusive, discursos de Bush sobre o Eixo do Mal, formado por países comunistas ou por nações radicais islâmicas, entre as quais estavam à ditadura comandada por Kim Jong-il, o Afeganistão, o Iraque e outros países.

Apesar da rivalidade entre EUA e União Soviética ser recorrente e ter aparecido em vários filmes, entre os quais, por exemplo, o segundo título da série 007 contra Moscou (1963), com Sean Connery, é somente na produção 007 – Na Mira dos Assassinos, de 1985, que são gravadas cenas em território russo. Isto aconteceu já como parte dos esforços da então União Soviética, sob o comando de Mikhail Gorbatchev, na década de 1990, quando estavam em vigência a Perestroica e a Glasnost, aberturas política e econômica daquele país.

De qualquer forma, os filmes de James Bond, além de constituírem diversão garantida, possibilitam trabalhar diferentes contextos geográficos e históricos, perceber a leitura de época acerca daqueles acontecimentos, acompanhar a evolução tecnológica do mundo em que vivemos, realizar trabalho paralelo com outras disciplinas utilizando os livros de Ian Fleming, apreciar e avaliar o trabalho dos diferentes atores que personificaram Bond e as Bond Girls e conhecer as trilhas sonoras produzidas por importantes nomes da música pop.

Afinal de contas, Bond não é só uma das maiores séries de ação e aventura dos cinemas, é também um precioso acervo cultural que contém informações que, certamente, irão dinamizar muito as aulas de geografia e história.

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