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A Semana - Opiniões
João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

25/8/2003 - Como nascem os heróis - 25/08/2003
Os Duelos em Alcântara e Bagdá


Esse título me faz lembrar os antigos faroestes que passavam repetidas vezes nas sessões da tarde dos canais de televisão do Brasil. Me lembra John Ford e John Wayne, Sergio Leone e Clint Eastwood ou ainda, os spaghetti-westerns italianos que permitiram a sobrevivência desse clássico gênero cinematográfico quando os estúdios de Hollywood se desinteressaram (por motivos financeiros) em produzir novos filmes de faroeste.

Neles, era comum que tivéssemos duelos ao por do sol. De um lado o xerife (ou "mocinho", como queiram) e, do outro, o vilão que havia roubado bancos, seqüestrado donzelas ou ainda, matado vários vaqueiros inocentes. Invariavelmente os representantes da lei (e dos bons costumes), ganhavam um embate tecnicamente muito equilibrado. Detalhes costumavam tornar a disputa muito emocionante e nos fazer crer que, o vilão teria alguma chance (pelo menos dessa vez).

Por mais que soubéssemos que o "mocinho" iria ganhar, assistíamos as sessões com grande interesse. Raramente perdíamos a oportunidade de acompanhar os passos de nossos heróis, desses valentes, destemidos e durões cowboys.

O "Velho Oeste" parecia indomável e sem lei. Os assaltos de bancos e trens (ou diligências) ocorriam a partir de explosões, que detonavam pontes, estradas de ferro ou derrubavam árvores e pedras que impediam a passagem dos veículos (no caso de trens e diligências); para assaltar bancos, os vilões utilizavam a pólvora dos explosivos para abrir os cofres.

Nesse ponto a história dos bons e velhos westerns parece ter cruzado com a recente e trágica semana vivida pelos brasileiros, quando ocorreu a explosão de um foguete na base de Alcântara e um atentado terrorista a bomba vitimou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello.

As explosões são apenas o primeiro indício de que a bárbarie e a selvageria do mundo sem lei apresentado nos westerns continua a existir.

Quando vemos homens da ciência e da tecnologia perecerem por conta de problemas técnicos, presenciamos, como nos westerns, o surgimento dos heróis que transcenderam os limites e buscaram novas fórmulas que permitissem a todos, uma vida mais qualificada. Os "cowboys" que caíam nos filmes morriam por defenderem ideais, por se posicionarem a favor da lei, por se mostrarem valentes em momentos em que muitos de nós teríamos "tremido nas bases".

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Nossos cientistas, como autênticos representantes de um grande ideal (a ciência, o progresso, a tecnologia), dentro de uma lei que nos parece a mais sensata desde que nos percebemos como "Sapiens" (a da
evolução, do investimento na pesquisa, da busca do conhecimento), jamais arredaram pé de seus comprometimentos, sabiam que eventualidades poderiam ocorrer ao longo do caminho (inclusive acidentes desse porte), e, mesmo assim, sempre acreditaram em seus propósitos e em seu trabalho. Por isso, atingiram o status de heróis, de mártires de uma causa que nunca se esgota, que agora e para sempre, nos mobiliza e nos mobilizará.

Representantes da ONU, em missão de paz, visitando países devastados pela guerra, por epidemias ou pela fome (entre tantas desgraças), deixam para trás a tranqüilidade de seus países de origem, suas famílias e profissões nas quais, muitas vezes, poderiam até ganhar mais (dinheiro, status, projeção pessoal ou profissional), em prol de populações que carecem de tudo. Faltam comida, remédios, roupas, calçados, educação, lazer, segurança,... Falta-lhes o essencial, a dignidade.

Sérgio Vieira de Mello era um desses abnegados que, tal qual autênticos "xerifes" (somente portando os distintivos; sem se utilizar de armas de fogo), cruzavam os oceanos buscando levar a esperança e consolidar a transição da miséria e do medo para a segurança, a paz e a prosperidade. Havia se saído muito bem em suas missões anteriores (na África e no Timor Leste). Trabalhava com seriedade em favor do Iraque. Foi abatido pelo mais covarde e vil dos atos vilanescos que existem no
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planeta, uma explosão promovida em um atentado terrorista. Com ele, tombaram outros semeadores de esperança que trabalhavam pelos Direitos Humanos, na ONU.

Cabe aqui, a nossa homenagem a esses brasileiros notáveis, que tombaram em seus duelos, travados em Alcântara (RN) e Bagdá (Iraque). Persistem seus exemplos e memórias na certeza que seus trabalhos não podem e não serão interrompidos. A Ciência e a Paz no Mundo, com certeza, lhes agradecem.

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