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COLÓQUIO
FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO - PERSPECTIVAS E QUESTIONAMENTOS

Apresentação Cultural do dia 03 de Março - Lucipiciando: O Trágico e Cômico na Obra de Lupicínio Rodrigues.


Gaspar Paz – Doutorando em Filosofia pela UERJ e Mestre em Musicologia e Licenciado em Filosofia pela UFRGS. Atua como pesquisador e músico, principalmente em áreas que enfocam expressões culturais brasileiras.


Release

“Lupiciniando” apresenta aspectos tragicômicos da trajetória poético-musical de Lupicínio Rodrigues, tendo por referência a sua atuação no cenário artístico/musical brasileiro. O objetivo é evidenciar a obra musical de Lupicínio, procurando recriar uma atmosfera lupiciniana.
A escolha do repertório aborda canções representativas de várias etapas históricas do compositor.
Gaspar Paz é violonista, Mestre em Musicologia pela UFRJ (Dissertação sobre Lupicínio Rodrigues). Fez shows pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Argentina e Suécia.
Entre suas parcerias estão Plauto Cruz, Ziláh Machado, Jorginho do Trumpet, Márcio Bahia e Vinícius Corrêa. Participou do CD do violinista Austríaco Rudi Berger, ao lado de músicos como: Toninho Horta, Yuri Popoff.


Roteiro

  1. Amargo - Lupicínio Rodrigues e Piratini.
  2. Minha História - Lupicínio Rodrigues e Rubens Santos.
  3. Rosário de esperança - Lupicínio Rodrigues.
  4. Volta - Lupicínio Rodrigues.
  5. Eu não sou louco - Lupicínio Rodrigues e Ewaldo Ruy.
  6. O morro está de Luto - Lupicínio Rodrigues.
  7. Não faça promessa - Lupicínio Rodrigues e Rubens Santos.
  8. Vingança - Lupicínio Rodrigues.
  9. Judiaria - Lupicínio Rodrigues.
  10. Navio no porto - Lupicínio Rodrigues e Rubens Santos.
  11. Se acaso você chegasse - Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.


Pot-Pourri

  1. Quando eu for bem velhinho - Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.
  2. Os óculos do vovô - Lupicínio Rodrigues.      
  3. Figurino - Lupicínio Rodrigues.
  4. Dominó - Lupicínio Rodrigues e David Nasser.
  5. Esses Moços - Lupicínio Rodrigues.
  6. Nervos de Aço - Lupicínio Rodrigues.
  7. Felicidade - Lupicínio Rodrigues.

 

“Lupiciniando” - Homenagem ao Compositor Lupicínio Rodrigues.

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre (RS) em 1914. Filho de uma família humilde da Ilhota, reduto porto-alegrense de boêmios, artistas e intelectuais. Nesse ambiente despontou como letrista e melodista em parcerias significativas, que abarcavam temas do dia-a-dia: amores fracassados, brigas, solidão, ciúme, entre outros aspectos que o referenciaram como intérprete da “dor-de-cotovelo”. A partir daí extraiu elementos para uma obra musical de muitas dimensões e na esteira de gêneros como o samba-canção e o bolero, inspirou movimentos estéticos importantes como à poesia concreta, a bossa-nova e o tropicalismo, cantando poesias sem ser operístico, como se falasse ao pé do ouvido de um de seus amores (PAZ, 2003).

Através de sua poética parece ter instigado, aos olhos dos críticos, novos olhares para as dissonâncias entre o profano e o sagrado, o popular e o erudito, o sujeito e o objeto, que ainda hoje são quebra-cabeças de estudiosos da cultura. Brincou com a música, tocando sua caixinha de fósforo e cantou a veracidade de sua vida e de seus semelhantes. Driblou o requinte, descaracterizando muitos dos sofismas da modernidade. Tratou da linguagem de modo romântico, poético, cru, despudorado, carinhoso, realista, irracional, dionisíaco, apaixonado, dolente...

Tudo ao seu tempo, num uníssono invejável.

A análise da música deste compositor estabelece a linguagem como manifestação de aspectos cotidianos, reapresentando e desmascarando contradições sociais. Diferencia-se, no contexto de seu surgimento, como um bom exemplo da alteração do enfoque que é dado a beleza, quando passa a desenvolver temas escavados do submundo existencial, da dor, do sofrimento, da mesquinhez humana. O senso-comum que transborda poeticamente de suas canções propicia a instauração da linguagem como realidade da criação na expressão lupiciniana. Opondo-se à lógica da aclamação da beleza instituída, suas canções revelam-se através das palavras, da música, do bar e mesclam em diferentes espaços, cenários urbanos, esferas sociais.
Seu diálogo foi tão profícuo e de contundente ressonância, que rompeu barreiras influenciando outras gerações, propiciando algumas das diretrizes primordiais à formação de uma certa estética musical brasileira, mesmo que partindo de uma "anti-estética", visto que, Lupicínio Rodrigues sempre se colocou à margem de uma sociedade institucionalizada ou acadêmica. A perspicácia de sua construção de mundo manifesta nas canções, fez com que ele matizasse instâncias deslocadas na política e ética de sua geração, além de ressoar em outros tempos. É notória a vitalidade de sua obra, que passados 90 anos do nascimento do compositor (2004), ainda revela-se em elementos pouco abordados, ou mesmo inéditos.

 

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